Mostrar mensagens com a etiqueta Isabel Alegria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Isabel Alegria. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

O Porto do meu coração


Uma parte de nós ri e outra chora quando tocamos a nossa própria raiz.
Pacificamo-nos e encontramos um rumo para os dias que virâo...
Podiamos percorrer todos os lugares, tocar o nosso coração beijando a terra, e continuariamos procurando esse lugar de origem, de origem primeira, antes da terra e do céu, que nos chama e nos lança no espaço da nossa própria liberdade.

O regresso à terra onde nasci toca-me sempre... talvez mais ainda por quase não ter vivido nela. É como se ouvisse uma música ao mesmo tempo próxima e distante, entre o choro tocado em guitarra (de Lisboa, onde a minha identidade se formou) e o riso cristalino de breves momentos de uma infância sonhada, que me dessem ser mais a norte, onde a alma falava e se ouvia.
A cidade do Porto, para quem como eu se habituou à luz aberta de Lisboa, é demasiado granítica.
Ah, mas quando chegamos ao rio... a cidade abre-se para uma outra luz, e aí compreendemos bem porque chamaram àquele rio Douro, um rio de néctar e sol profundo.


Aguarela em diário gráfico.
Tarde do 4º Encontro dos Urban Sketchers Norte, na Ribeira do Porto, na muito agradável companhia dos Aveiro Sketchers e de sketchers da região. A discreta figura que está do lado esquerdo, a desenhar, é o António Osório.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O silêncio de desenhar

Rua de Santa Catarina, no Porto, na manhã do 4º Encontro dos USKP Norte.

Começou por ser um desenho muito exigente para mim por ter uma grande variedade de elementos de arquitectura a integrar na perspectiva. Optei pela simplicidade de representação desses elementos e com alguma concentração vi como poderiam ser tornados mais leves... ao andarmos na rua também não estamos a ver em detalhe tudo, o olhar cria referências simplificadas do que vê à passagem pelas coisas. A simplificação é muito mais próxima da nossa visão dinâmica do mundo.


Desenho a canetas japonesas em diário gráfico

  
Ao desenhar as pessoas deliciei-me com o movimento constante em várias direcções e as várias distâncias a que se encontravam. Nos momentos em que se olha centrado apenas em captar a relação de tamanho e posição entre os vários elementos o olhar faz um tipo de leitura em que coloca tudo como se estivesse no mesmo plano. E aí as pessoas apresentavam-se ao meu olhar de uma forma bastante cómica... as que do lado esquerdo caminhavam mais ao fundo na rua vindo na minha direcção apareciam debaixo do braço esquerdo do personagem que está em primeiro plano (que era o Tiago Cruz) como se fossem pequenos personagens de uma história encantada, que existiam tendo aquele tamanho! Claro que a ilusão durava um breve momento, mas registei-a como algo interessante.
Acho realmente fascinante o que se passa entre os nossos olhos e o nosso cérebro, como traduzimos o que vemos construindo a nossa noção de real!

É também curioso como entramos num silêncio só nosso quando desenhamos no meio do movimento da cidade. Estar em grupo ajuda a proteger esse espaço de silêncio.