domingo, 31 de agosto de 2014

sketchbook therapy


"O uso do diário gráfico, a respeito da sua ontológica relação com o dia-a-dia, dir-se-á que é voyeurista."
Um tema que serviu para escrever recentemente um "micro-texto" e disponível em: http://sketchbooktherapy.wordpress.com/not-papers-pt/
O mais importante são os vossos comentários e críticas.

3 comentários:

  1. Belo exercício
    Apetece-me acrescentar - porque entendo que os temas se tocam muito - a já muito debatida discussão, se a memória não me falha, por Fitche, que, ao rever " a coisa em si" Kantiana, afirma que o objecto não existe ( em si ) senão quando apreendido pelo sujeito/ individuo ( ou sketcher)
    e que dessa interacção resultam representações necessariamente diferentes, porque diversos são também os sujeitos desse mesmo exercício
    Parabéns pelo texto

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  2. Obrigado Marcelo.
    Sim, também faz sentido essa ideia. Segue a perspectiva subjectivista e fenomenológica. O desenho em cadernos, também pode ser incluído como uma interpretação do mundo criada pela subjectividade inerente a o sujeito, porque sujeito único.
    Mas assim sendo, e para complicar a "coisa", também há a hipótese de ver igualmente pelo outro lado da moeda: se o objecto não existe, como podemos apreende-lo perante estruturas objectivamente e universalmente verificáveis? As representações realizadas pelo sujeito serão assim, não interpretações nascidas do seu interior, mas o resultado da dimensão cognitiva que a "coisa em si" tem (externa ao sujeito). Ou doutra maneira, não haveria experiência empírica :)
    É claro que as coisas não são simplistas como se expõe aqui. Falo dos dois lados da moeda, mas eles fazem parte da mesma moeda. Não consigo separa uma da outra, muito embora penso que sou mais "fenomenológico".
    De qualquer forma, a ideia do voyerismo não pretendia abordar o desenho como uma prova de que também é uma interpretação do sujeito perante a apreensão feita da coisa, mas antes, evidenciar um comportamento no uso do diário gráfico enquanto suporte para o desenho. Ou seja, o desejo de qualquer coisa para a minha esfera privada, desde que outra coisa, todos os dias.

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    Respostas
    1. Sim, subscrevo na íntegra.
      É sempre agradável partilhar preocupações destas, sobretudo nos tempos que correm, em que tudo é economês...

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